O setor precisa capacitar milhões de gestores de projetos para explorar os minerais do futuro

Túlio Cerviño | Foto: divulgação

Por Jaine Machado, em 12/02/2026.
A gestão de projetos vive um dos momentos mais dinâmicos e desafiadores de sua história.
Enquanto a transição energética global acelera a demanda por minerais estratégicos como lítio, cobre e terras raras, o setor extrativo se vê diante de um gargalo crítico:
a falta de profissionais qualificados para conduzir empreendimentos de alta complexidade.
De acordo com o Project Management Institute (PMI), o mundo precisará de 30 milhões de novos gestores de projetos até 2035.
O déficit atinge em cheio a mineração, indústria baseada em grandes obras, cronogramas apertados e rigor técnico.
O desafio, porém, vai além da quantidade: o perfil desse profissional está se transformando radicalmente.
Do executor ao estrategista de dados
A função do gestor de projetos, antes centrada no acompanhamento de tarefas e no cumprimento de prazos, migra para um papel de intérprete de dados e estrategista de negócios.
Apoiado por plataformas de automação, análise preditiva e sistemas de inteligência artificial, esse profissional passa a conduzir o planejamento e a execução de projetos de forma muito mais integrada às estratégias corporativas.
“Quando você transforma dados em visibilidade, transforma também a forma de liderar. Hoje, a tecnologia já é capaz de prever gargalos antes que eles ocorram, ajustar cronogramas automaticamente e até recomendar decisões com base em dados históricos”, explica Túlio Cerviño, CEO da Trackfy, empresa brasileira especializada em inteligência de gestão para ambientes industriais.
A companhia atua justamente na intersecção entre tecnologia e gestão de projetos, convertendo dados operacionais em insumos estratégicos para setores críticos como óleo e gás, petroquímica, mineração, siderurgia, energia e agronegócio. Clientes como Acelen, Saudi Aramco, Braskem, Usiminas, São Martinho e Tronox já utilizam a solução em mais de 15 plantas industriais.
IA e IIoT redefinem a operação
Prova da força do setor está nos números: o mercado de Internet Industrial das Coisas (IIoT) no Brasil deverá movimentar US$ 13,7 bilhões até 2030, segundo o Grand View Research.
É nesse ambiente que ferramentas como as da Trackfy ganham escala.
“A gestão de projetos, quando apoiada em dados, deixa de ser apenas um acompanhamento de tarefas e passa a transformar informação em ação antes mesmo que um problema surja.
Essa abordagem não apenas evita riscos operacionais, mas também reduz custos e encurta prazos, tornando as operações mais seguras e eficientes”, afirma Cerviño.
Em ambientes industriais, os ganhos são também humanos. A análise de dados em tempo real permite, por exemplo, identificar a permanência de trabalhadores em áreas de risco e reduzir em até 50% o tempo de evacuação em situações de emergência. “Cada minuto faz diferença.
A tecnologia pode literalmente salvar vidas”, acrescenta o executivo.
Formação e inovação como prioridade
Diante da escassez de talentos, o setor privado começa a reagir. A Trackfy tem se aproximado de centros de excelência e fóruns globais de inovação para discutir o futuro da profissão.
Um dos exemplos é o patrocínio da empresa ao PMI Global Summit Brasil, maior evento nacional de gestão de projetos, onde líderes de grandes companhias debateram o impacto da automação e da governança de dados na execução de empreendimentos de alto risco.
“O mercado vive uma mudança de paradigma: não se trata mais de controlar tarefas, mas de orquestrar informações com inteligência. Nossa missão é provar que dados e tecnologia não substituem o gestor — eles o potencializam”, resume Cerviño.
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