Como estudante e membro da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Ceará, campus de Russas, não posso me calar diante da proposta apresentada pelo presidenciável Flávio Bolsonaro e endossada por figuras como Nikolas Ferreira, André Fernandes e Lucas Pavanato
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| Faixa no Hall de entrada do Campus da UFC Russas "Universidades no MEC nenhum centavo à menos para a educação" | Foto: Danilo. |
A ideia de retirar a governança das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) e transferi-la para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) não é apenas um rearranjo administrativo; é um risco concreto ao futuro da nossa formação e à própria existência do campus que ajudamos a construir.
A justificativa apresentada é a de que a mudança aproximaria a pesquisa da indústria.
No entanto, a realidade orçamentária desmente essa narrativa. Enquanto o MEC conta com um orçamento na casa dos R$ 200 bilhões e proteções constitucionais para a educação, o MCTI opera com uma fração desse valor, cerca de R$ 15 bilhões.
Se a governança migrar, o temor é que o financiamento das universidades perca a estabilidade garantida pelo piso constitucional da educação, abrindo caminho para cortes severos e sucateamento.
Aqui em Russas, sabemos bem o que significa depender de políticas públicas sólidas.
Nosso campus foi fruto de uma mobilização histórica da comunidade e de lideranças locais, que viram na universidade pública a única via de ascensão e desenvolvimento tecnológico para o Vale do Jaguaribe.
Transferir a gestão para uma pasta com histórico de contingenciamentos e sem a mesma proteção legal é colocar em xeque a permanência estudantil, a assistência alimentar e a continuidade de projetos de extensão que beneficiam diretamente a população.
debate lula e flávio
Acompanhamos recentemente o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos não tocaram no assunto: ensino superior, mas no plano de Governo do candidato Flávio Bolsonaro, tem um parágrafo que afirma, "transferir o ensino superior para o MCTI."
Além disso, a proposta ignora a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Como destacam os próprios reitores, retirar o ensino superior do MEC fragmenta o sistema educacional, dificultando a formação de professores para a educação básica e desarticulando políticas que deveriam ser contínuas.
Não queremos uma universidade que seja apenas um apêndice de mercado; queremos uma instituição que pense o Brasil de forma integrada.
É preciso resistir. A luta pela educação pública não é apenas por um prédio ou um diploma, mas pela garantia de que qualquer estudante, especialmente os de regiões interioranas como a nossa, possa sonhar com um futuro que não dependa da benevolência de um ministério sem recursos.
A comunidade da UFC Russas seguirá atenta e mobilizada contra qualquer retrocesso.
