Entre agosto e outubro, operação pioneira de inteligência artificial em Fortaleza apoiou 292 casos e gerou resultados em 26 unidades das polícias Militar e Civil, do patrulhamento à investigação
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| Polícia cearense resolveu quase 300 casos com apoio de IA em dois meses. | Foto: Danilo |
Em dois meses de operação em Fortaleza, o uso de câmeras integradas a um sistema de inteligência artificial apoiou as forças de segurança do Ceará na resolução de 292 casos, envolvendo prisões, recuperação de veículos roubados e localização de pessoas desaparecidas.
O balanço considera o período de 17 de agosto a 17 de outubro de 2026 e representa uma média de quase cinco casos com resultados por dia.
Entre os casos em que a natureza do crime foi identificada, o roubo responde por cerca de um em cada três (34%), seguido por homicídio, incluindo tentativas (16%) e tráfico de drogas (15%).
Também foram identificados casos relacionados a furto (9%), crimes sexuais (5%) e violência doméstica (2%).
Outro dado relevante é a participação de prisões civis relacionadas ao não pagamento de pensão alimentícia, presentes em 26% dos casos com natureza identificada. Os percentuais consideram registros que podem estar associados a mais de uma natureza.
Os resultados também mostram a utilização da tecnologia por diferentes áreas da segurança pública. Ao todo, 26 unidades das polícias Militar e Civil registraram resultados com apoio da ferramenta.
Alerta de Inteligência Artificial (IA) ajuda a localizar foragido
Um dos casos registrados ocorreu na tarde de 7 de setembro, quando a Praia do Meireles, um dos pontos turísticos mais movimentados de Fortaleza, estava lotada.
Em meio à multidão, o sistema de inteligência artificial identificou um homem procurado pela Justiça e emitiu automaticamente um alerta às forças de segurança.
O homem possuía mandado de prisão em aberto por regressão de regime e histórico relacionado a crimes como furto, receptação e tráfico de drogas.
A identificação ocorreu a partir do cruzamento das imagens captadas pelas câmeras com informações de bases de dados utilizadas pelas forças de segurança, sem a necessidade de uma busca prévia direcionada ao suspeito.
Após o alerta, policiais militares se deslocaram até o local e deram voz de prisão ao homem, que tentou escapar entrando no mar. Uma aeronave da Polícia Militar foi acionada e conseguiu localizá-lo enquanto nadava. O foragido foi detido e conduzido à delegacia para o cumprimento do mandado judicial.
A ocorrência exemplifica a integração entre o monitoramento inteligente e a atuação operacional das equipes policiais.
O alerta automatizado permitiu identificar uma pessoa procurada em um ambiente de grande circulação, enquanto a intervenção dos agentes, com apoio aéreo, garantiu o cumprimento da ordem judicial.
Operação consolida resultados em Fortaleza
A tecnologia foi testada pela primeira vez no Ceará durante a ExpoCrato, quando 19 pessoas foram presas com apoio da ferramenta. Desde o início da operação em Fortaleza, o volume de casos apoiados pela IA cresceu rapidamente.
Hoje, já são 400 câmeras inteligentes instaladas na Capital, que se conectam e são cruzadas com outras informações do Estado para gerar inteligência para a polícia.
A iniciativa é uma parceria do Governo do Estado com a Pax, empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública, por meio do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 006/2026, firmado com a SSPDS, que formaliza o teste da tecnologia.
Nesse modelo, os custos da operação durante o período são assumidos pela empresa, sem ônus para a gestão pública.
A plataforma é operada pelos próprios policiais, e os dados permanecem sob custódia do Estado, armazenados no Brasil, com todas as consultas registradas e auditáveis.
A Pax não tem acesso às bases de dados dos cidadãos e é certificada na ISO/IEC 27001:2022, principal norma internacional de gestão da segurança da informação.
Na prática, a tecnologia permite organizar e cruzar grandes volumes de informação, transformando dados dispersos em alertas que auxiliam os policiais na identificação de suspeitos e no esclarecimento de crimes.
Com o uso da inteligência artificial, os agentes possuem possibilidades de busca ampliadas para além de placas ou reconhecimento facial, facilitando o acesso às informações captadas pelo sistema.
